A TRISTE REALIDADE DE UM SUICIDA APAIXONADO Todos os dias ao despertar, reflito intensamente como será a nova história que preencherei as páginas da vida, declino-me em harmonia e para cada entrelinha escrita decifro um novo enigma de emoção. Tudo o que avisto, sinto ou toco me remete a um desejo insecável ​que me rodeia no coração, perco minha voz, desligo-me do mundo e não consigo mais controlar meus instintos naturais, logo bruscamente me vem um sopro de ar que me desdobra ao momento que conheci você. Assim paro no tempo e por longos e preciosos minutos fico ali pairando como se não houvesse um novo tempo a viver. Quando retorno e dou-me conta de si, percebo que o tempo já não é como antes e os dias ​já ​não possuem mais a essência que antes ​havia sobrando, e agora tudo se tornou em um desejo distante. Ate aonde meus olhos podem avistar, vejo-a! E aquela vontade absurda de passar o dia te observando já não existe mais dentro de mim, pois sei que não estará mais por aqui quando me quisera poder te apreciar. Diante desta ilusão, no meu peito bate uma saudade fria, que dói incessantemente, que se criou no ato de sua partida uma eterna saudade e nesta ausência de cura inexistente me torno incapaz de suportar esse sentimento tão sombrio. Hoje sei bem o quanto algo dura o tempo suficiente para se tornar inesquecível, e por isso a saudade se torna presente todos os dias. Muitos são aqueles que me “aconselham” para de algum modo esquecer-te de uma única vez, acabar com este sofrimento e acalmar meu coração. Vejo que nestes grandes conselhos nenhum deles soubestes o verdadeiro significado de amar, ou por tempo apresentam-se como seres fortes e experientes. Mais no fundo eu sei que para dominar uma determinada dor embora seja dito muitas palavras diversas coisas, qualquer um é capaz de falar e se proclamar o suficiente para suportar, exceto quem a realmente sente, com extrema certeza não conseguira aplanar-la de imediato. Cogito o tempo todo, aguço desejos e fico jubilando-me de sensações volumosas, e pergunto-me, se a nossa utopia foi mutua e profunda, o porquê me deixastes acordar desta inocência? Quisera eu bem estar morto e permanecer ali trancado eternamente em minha própria ilusão. Deslumbrar-me de luz o coração, apoderar-se de todo amor que pudera eu transmitir e viver intensamente sem alguém para me despertar. Infelizmente acordei do sonho intenso e descobri que não era ali a realidade mundana. Penso todos os dias nos momentos de paixão que me proporcionou todas as suas palavras, e em cada gota de seu suor que me transmitia os batimentos de seu coração pulsante e ofegante por somente me ver chegando, perdia-se somente com um olhar meu e tornava-se indefesa diante do mundo por todas as qualidades que eu demonstrava possuir, mais só fim o indefeso era eu. Foi exatamente neste ponto que pequei, e carregarei para sempre esta marca em mim cravada, abaixei a guarda e me pus inteiramente todo a vós. O mais tolo dos meus erros foi deixar minha inteligência se tornar artificial e perder a originalidade que possuía, dei-me conta de toda a verdade quando passei a ser tachado pelos outros como um pobre onagro, todos sabiam de suas tramas! Menos eu. Assim, como não consigo viver neste mundo sem ti, vou-me para outro mundo aonde possa eu ser alguém melhor que aqui. O que resta, é minha vontade, e que seja feito conforme meus desejos. Se a humanidade permitisse que a natureza tomasse o seu curso, seria o renascimento da matéria. Eu renasceria no vento que passa a murmurar, nas folhas que farfalham, no solo que abriga e alimenta milhares de seres vivos, na água que corre para o mar nas chuvas que regam os campos, no orvalho que cintila ao luar, nas grandes árvores que abrigam ninhos de passarinhos e que vergam a passagem dos ventos fortes, nos pequenos arbustos que escondem a caça do caçador... Eu me vingaria se apenas uma de minhas partículas participasse do desabrochar de uma flor ou do canto de um pássaro. Foi-se assim o seio que aconchegou a criança que vinha lhe contar as suas tristezas, mágoa, alegrias, pensamentos, e seus desejos íntimos... Suas esperanças. A criança inocente que amorosamente se criou em um amor, quer hoje voltar para seu mundo posterior, e lhe contar seus sofrimentos, desilusões, a morte de suas esperanças... Para encontrar novamente o aconchego onde poderá descansar sua cabeça cansada e abatida e onde poderá, enfim, chorar as suas lágrimas que não encontram onde chorar. Volto para o fruto do mundo, porque não fui capaz de viver aquilo que me trouxe ate aqui, o mundo se tornou insuficiente para mim. E foi tudo o que me restou o seu amor. Prefiro morrer a viver com a morte dentro de mim, porque sem você, já estou morto desde o dia que você partiu. Bruno Saraiva

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